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Com as mãos ocupadas

Percebi que minhas mãos continuam ocupadas, mesmo em tempos de Pandemia mundial e Isolamento social. Ao invés de segurar o volante do carro, o câmbio e me concentrar nos longos e engarrados trajetos semanais da rotina profissional e da vida cotidiana, me vejo com as mãos ocupados segurando o celular, teclando e olhando para diferentes telas, em diferentes formatos: postagens, vídeos, lives, reuniões em salas virtuais, ligações e uma interação muito maior do que antes – mas agora num formato mais drive thru: faço meu pedido (solicito uma reunião, agendo uma palestra, envio uma mensagem por aplicativo), efetuo o pagamento (com tempo, agenda e disposição física e intelectual) e recebo a encomenda, que muitas vezes vem sob medida, outras vezes nem tanto – mas isso já é outro assunto…

Do livro Uma Simples Revolução, do sociólogo italiano Domenico de Masi (2019) extraio uma citação de Bertrand Russel, lá dos idos anos 30: “Continuamos a desperdiçar a mesma energia que era necessária antes da invenção das máquinas; nisso, temos sido idiotas, mas não há razão para continuar a sê-lo.”

Estamos imersos nesta hecatombe mundial provocada pelo Convid-19 (mais os excessos deturpantes tendenciosos de mídias questionáveis) e parece mesmo que as empresas continuam sendo aquilo que de Masi chamada de “sistema antropológico”, sendo capaz de oferecer algo mais do que um trabalho e um salário, mas também uma espécie de sustento moral, sociabilidade – seja ela de qual qualidade e intencionalidade for – envolta num erotismo por vezes doentio, potencializado por competição, imposições e submissões conformistas.

Claro que pairam sobre nós uma série de incertezas, medos e preocupações quanto ao atual momento e ao que iremos enfrentar no “daqui pra frente”. E uma grande parte desse sofrimento por antecipação está ligado as questões econômicas e aos negócios. O emprego, o trabalho e as oportunidades foram e estão sendo impactadas fortemente.

Somos uma espécie de parabólica de captação de sentimentos e o desafio está em lidar com a quantidade de informações, sentimentos e emoções nas quais estamos expostos hoje. Todos os dias temos que enfrentar nossas próprias preocupações, as quais muitas vezes surgem de nossos medos. Tanto as emoções quanto o medo se originam de algum evento e o cenário “lá fora” está repleto de ativadores de preocupações.

Vivemos um tempo em que o protagonismo pode ser experimentado por cada um de nós. Procure pensar de modo estratégico, comentar sobre sua trajetória de vida, atualizar seus quadros de referência, parear suas percepções e rever suas convicções, compartilhar ideias de forma apreciativa (positiva e aberta) e não depreciativa (fechada e negativa).

Coloque-se numa posição de aprendizagem e envolva-se! Todas as vezes em que você decidir por ser intencional e agir com integridade e disposição, poderá gerar avanços importantes entre as pessoas. As dificuldades são oportunidades de treinamento e desenvolvimento. Enfrente-as! Avance e conte sempre comigo.

Rony Tschoeke

INSTAGRAM @rony_tschoeke

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