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VIVER A FORMA DA ARTE!

Imagine se ao final de cada semana de sua vida fosse pintado um quadro, através das suas ações, decisões, atitudes e inquietudes daquele período! Seria sua representação pictórica, expressa numa linguagem de comunicação baseada em desenhos, talvez gráficos, tabelas e outras formas de representação visual…

Consegue imaginar essa cena? Seu álbum de vida até aqui seria uma galeria de artes, expostas como uma escrita de sinais e símbolos convencionados para codificar e registrar a escrita da sua trajetória!

Por mais que tudo aquilo que fazemos diariamente transite pelas nossas crenças, costumes, hábitos, experiências anteriores, pela nossa expressão gênica e, sobretudo pela forja influenciadora oriunda das figuras parentais na nossa mais tenra idade, também produzimos coisas inéditas que são absorvidas pelo meio em que vivemos.

Alguém sempre tem algo a dizer sobre você, quer seja por admiração, rejeição, inveja, respeito, educação, concordância ou discordância. E dizem mesmo – de várias formas, inclusive das mais veladas e indiretas. Nós também dizemos – ou pelo menos, pensamos, julgamos, avaliamos, analisamos, comentamos e até dissimulamos…

Em tempos tecnológicos e cada vez mais digitalizados, trago um convite para nos voltarmos à uma percepção mais analógica do real.

Existe uma inquietação coletiva acompanhada por doses elevadas de ansiedade e pré-ocupação, instaladas no espírito contemporâneo.

Em cada posicionamento nosso nesse agitado cotidiano, absorvemos modificações e também impactamos as constantes transformações.

Seríamos, então, todos Artistas?

Seria a Arte uma das mais plenas manifestações do espírito de comunhão entre as pessoas!!

Nessa linha, que tal preocupar-se menos em exercer o papel de “crítico” de arte, dedicando-se à contemplação do belo, do diverso, do único, peculiar, particular, complexo e singular de cada artista que expõe – que vive, ao seu redor?!

Ao contemplar, permitindo se maravilhar com a estética do cotidiano, atingimos a Experiência, que nos leva a criar valores novos.

Procure acolher o eventual despreparo e suas inquietudes, domar as expectativas futuras e vivenciar a vida na forma que “ela” se apresentar à você pela Realidade, com toda a aquarela de sentimentos e seus ardores.

Sinta-se um Artista!!

Na concretude da vida, precisamos assumir compromissos e experimentá-los em toda sua intensidade e responsabilidade, pois isso faz parte da exigência pela sobrevivência.

Mas você pode ir além e viver com mais leveza, por mais que as vezes tenha que agir contra os próprios desejos, para colocar comida na mesa. Procure agir de modo mais consciente, resistindo ao fato de que os compromissos necessários possam enfraquecer sua essência. Tenha calma e paciência. Foco e persistência.

Faça o que precisa ser feito, mas sinta seu coração pulsando no peito!

Identifique quais são os eventuais caminhos venenosos para um Artista como você e jamais se perca de vista. Nunca confunda Alma com Bolsa de Valores. A vida prática exige muito e pode enfraquecer essa energia artística. Sua potência interna bruta merece descobrir recantos nos quais possa florescer.

E o que seria Arte?

Concordo que ela não precisa de teoria, pois bastaria o silêncio contemplativo.

Seria pedir demais que a Arte ocupasse um ponto mais elevado em nossa Cultura?!

Seremos capazes de elevar a Arte e o amor ao próximo?!

Me despeço com ideias de Lasar Segall, um artista lituano que se naturalizou brasileiro e que, em 1923, disse algo assim: “Arte reside na concepção e não na narrativa”. Acreditava que a criação e a forma deviam estar acima do conteúdo – que é apenas estímulo e deve inspirar uma grande fartura de formas!

Te desejo viver a forma da Arte – anseio da humanidade pela elevação da alma e da mente, num florescimento do Espírito, desprovidos de vaidade, guiados pela sinceridade, em consonância com os sentimentos praticados com fraternidade…

Rony Tschoeke

Autor do Livro SCRIPT UMA OBRA INACABADA, Editora Chiado Books, 2021

@rony_tschoeke

10 Responses to VIVER A FORMA DA ARTE!

  1. Jorge Steinhilber

    Maravilhoso. Muito interessante a chamada para ser artista

  2. Mirian

    Nos meus momentos de Silêncio…minha Mente se transforma em Arte……um quadro bem diversificado…

  3. ANA TERRA ANTUNES PAGLIUCA

    “Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”, em tantos traumas e dramas infantis. Soma-se o fato de que, nosso presente é, ao mesmo tempo, tão conectado e tão alienado… Pra viver a forma da arte, somente aceitando/superando/reconhecendo, ainda que em parte, nossos dramas e as tentações vazias desses tempos sombrios em que vivemos. Não é fácil… ninguém disse que seria, né?

  4. Eduardo Bahia

    Excelente. Sensibilidade diante dos desafios da vida.

  5. Eloir E Simm

    A cada artigo, um aprendizado com ótimo conteúdo
    Parabéns Rony

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